A JBL Go é a caixa que todo mundo já viu pendurada numa mochila, jogada na beira da piscina ou esquecida em cima da pia do banheiro. Com mais de uma década de história e milhões de unidades vendidas, ela virou sinônimo de “caixinha Bluetooth barata que funciona”. A Go 4 tenta justificar uma nova geração com Auracast, app com EQ e materiais reciclados — mas ainda carrega as mesmas limitações fundamentais de sempre.
Construção e design
A Go 4 é minúscula: 94 × 76 × 42 mm e 192 gramas. Cabe literalmente no bolso da calça. O corpo emborrachado com certificação IP67 sobrevive a submersão e poeira, e o loop integrado na lateral permite pendurar em carabiner, mochila ou chuveiro. A variedade de cores (preto, azul, branco, vermelho, rosa, roxo, camuflado) garante que existe uma Go 4 para cada personalidade.
A grande mudança estrutural é a adoção de materiais parcialmente reciclados — algo que a JBL tem incorporado em toda a linha recente. O acabamento é agradável ao toque e a construção inspira confiança para o uso que se espera: jogar na bolsa e esquecer.
Som: o limite dos 4,2 watts
Vamos ser honestos: a Go 4 tem um único driver de 45 mm, sem radiador passivo, entregando 4,2 watts RMS. Não há mágica que transforme isso num sistema de som. O que ela faz é ser melhor que o alto-falante do celular — consideravelmente melhor — e ocupar aquele papel de “som ambiente leve” onde nenhuma caixa maior cabe.
Graves
Limitados por natureza. O driver começa a responder lá pelos 90 Hz, com um pico de mid-bass por volta de 98 Hz que dá uma ilusão de corpo. Sub-graves? Esqueça. Em volume alto, o corpo inteiro vibra em vez de produzir graves definidos. O EQ do app permite reforçar 64 Hz e 250 Hz, o que ajuda, mas não faz milagre.
Médios
A faixa mais desenvolvida. Vocais são quentes e presentes, embora com uma textura ligeiramente granulada. O perfil de fábrica é mid-heavy — o que faz sentido para podcasts, chamadas e música em volume ambiente. Reduzir o slider de 1 kHz no EQ do app melhora o equilíbrio tonal.
Agudos
Aceitáveis em volume baixo-moderado, mas sibilantes em volume alto. Sons de “s” e “ch” ficam exagerados, e o brilho geral pode cansar em sessões longas. A boa notícia é que o EQ de 5 bandas do app JBL Portable dá margem para domar isso.
O que mudou de verdade: Auracast e EQ
As duas novidades que justificam a Go 4 sobre a Go 3 são o Auracast e o EQ via app. O Auracast permite conectar múltiplas caixas compatíveis (de qualquer marca com Auracast) a uma única fonte — algo que o antigo JBL Connect não fazia entre marcas diferentes. É um upgrade genuíno para quem tem ou planeja ter mais de uma caixa.
O EQ de 5 bandas no app JBL Portable é a outra adição importante. A Go 3 não tinha personalização de som alguma; agora você pode ajustar o perfil ao seu gosto. Detalhe: o EQ não funciona quando a caixa está em modo Auracast — uma limitação frustrante.
Bateria e conectividade
Sete horas declaradas, que se traduzem em 5–6 horas reais em volume moderado. O modo Playtime Boost estende a autonomia em ~2 horas, mas à custa de qualidade sonora — graves desaparecem quase completamente. Carregamento via USB-C em 3 horas. Bluetooth 5.3 com codec SBC apenas (sem AAC, sem LDAC).
Veredito
A JBL Go 4 é a melhor Go até agora — o que não é exatamente um elogio alto. O Auracast e o EQ são adições bem-vindas que modernizam a experiência, e a construção IP67 continua impecável para o uso rude que essas caixinhas recebem. Mas 4,2 watts são 4,2 watts: o som é limitado, mono, e perde qualidade em volume alto. Por R$ 250, é uma compra fácil para quem quer som no chuveiro, na mesa do escritório ou pendurado na mochila. Para qualquer ambição além disso, olhe para cima na linha JBL.