Tronsmart não é um nome que aparece em conversas de audiófilo — ainda. Mas talvez devesse. A Force Pro é o tipo de produto que embaralha as cartas do mercado: 60 watts RMS, aptX HD, IPX7, NFC e função powerbank por um preço que faz as gigantes do setor parecerem gananciosas. Claro, promessas no papel são fáceis. A questão é se a Force Pro entrega na prática o que anuncia na embalagem. Após seis semanas de uso intensivo, tenho a resposta — e ela é mais nuançada do que eu esperava.
Design e construção: tanque portátil
Vamos ao elefante na sala: a Tronsmart Force Pro pesa 1.340 gramas. Isso é mais que o dobro de uma JBL Flip 7 e se aproxima de uma JBL Charge 5. Com dimensões de 240 × 110 × 70 mm, estamos falando de uma caixa que cabe numa mochila, mas que vai fazer sua presença ser sentida nas costas. A portabilidade existe, mas exige compromisso.
Dito isso, a construção justifica o peso. O corpo combina plástico emborrachado com grade metálica resistente, transmitindo uma solidez que caixas chinesas dessa faixa raramente alcançam. A certificação IPX7 garante sobrevivência a submersão, e a caixa resistiu sem problemas a respingos de piscina e chuva intensa nos meus testes.
Na parte superior, uma fileira de botões físicos oferece controle completo: volume, play/pause, modo SoundPulse, atendimento de chamada e botão de energia. Há ainda um tag NFC embutido que permite pareamento instantâneo com smartphones compatíveis — encoste e conecte, sem navegar em menus Bluetooth.
Qualidade sonora: potência bruta com ressalvas
O sistema acústico da Force Pro é ambicioso: configuração 2.2 canais com dois woofers, dois tweeters e dois radiadores passivos, totalizando 60W RMS. A tecnologia proprietária SoundPulse promete menos de 1% de distorção harmônica total, e nos volumes moderados a altos (até 80% do máximo), cumpre essa promessa com autoridade.
Os graves são o cartão de visita. São profundos, viscerais e físicos — você sente a vibração na mesa, no banco do parque, na superfície mais próxima. Para hip-hop, eletrônica e reggaeton, a Force Pro é uma festa. Os radiadores passivos pulsam visivelmente, um espetáculo à parte que impressiona visualmente tanto quanto sonoramente.
Os médios, entretanto, são o calcanhar de Aquiles. Há um recuo perceptível na região de 1-4 kHz que afeta a presença de vocais e a definição de instrumentos como guitarra e piano. Não chega a ser um defeito grave — a maioria dos ouvintes casuais não notará — mas quem escuta jazz, MPB ou música clássica sentirá falta de corpo e naturalidade.
Os agudos são adequados sem serem brilhantes. Os tweeters fazem seu trabalho de separar as frequências altas dos graves dominantes, mas não espere a definição cristalina de um tweeter dedicado de marcas premium. O soundstage é compacto, e o detalhe em passagens complexas se perde quando múltiplos instrumentos competem por espaço.
Aqui está o ponto crucial: no volume máximo absoluto, a distorção aparece. Os radiadores passivos começam a reclamar, e o som perde controle. A 90% do volume, a caixa soa fantástica. A 100%, tropeça. É uma limitação importante para quem planeja usar a Force Pro como caixa de festa ao ar livre no volume máximo.
Codec e conectividade: o trunfo do aptX HD
O chipset Qualcomm QCC3031 entrega Bluetooth 5.0 com suporte a SBC, AAC e aptX HD. O aptX HD transmite áudio a 576 kbps em 24-bit/48 kHz, um salto significativo sobre SBC e AAC. Em smartphones Android com Qualcomm, a conexão é estável e a qualidade claramente superior ao SBC.
A ausência de LDAC é a omissão mais notável. Enquanto a Soundcore Motion 300 oferece LDAC por preço similar, a Tronsmart aposta no aptX HD — codec qualitativamente inferior ao LDAC, embora com latência mais baixa. Para a maioria dos usos, a diferença é sutil, mas audiófilos notarão.
O modo broadcast permite sincronizar mais de 100 caixas Force Pro simultaneamente. É um recurso de nicho, mas impressionante para eventos e festas maiores. A conexão NFC funciona perfeitamente e torna o pareamento inicial mais ágil que qualquer concorrente nessa faixa.
Bateria e extras
A bateria de 10.000 mAh é generosa e entrega as 15 horas prometidas com facilidade. Em volume moderado (50-60%), cheguei a 17 horas em um teste. É o tipo de autonomia que elimina completamente a ansiedade de bateria em viagens ou churrascos de fim de semana.
A função powerbank via USB-A (5V/1A) permite carregar smartphones em emergência. Não é rápida — 1 ampere é lento pelos padrões atuais — mas pode salvar seu dia quando não há tomada por perto. É um bônus que nenhuma JBL ou Bose nessa faixa oferece.
Concorrência e posicionamento
A R$ 650, a Force Pro compete em território de gigantes. A JBL Charge 5 oferece marca consolidada e PartyBoost, mas com 40 watts e sem aptX HD por preço superior. A Sony SRS-XG300 tem LDAC e mais potência, mas custa quase o dobro. No custo-benefício puro, a Tronsmart é imbatível — a questão é se você confia o suficiente na marca para aceitar a aposta.
Veredito
A Tronsmart Force Pro é uma proposta de valor agressiva que entrega substância real por trás do marketing. Os 60 watts com SoundPulse impressionam, o aptX HD é um diferencial legítimo e a combinação de IPX7, NFC e powerbank cria um pacote difícil de superar pelo preço. Mas é uma caixa para quem prioriza potência e graves sobre refinamento e equilíbrio tonal. Os médios recuados e a distorção no volume máximo impedem que ela alcance as notas mais altas da nossa avaliação.
Se seu orçamento é limitado e você quer a maior quantidade de decibéis por real investido, a Force Pro é a escolha certa. Para ouvidos mais exigentes, invista um pouco mais em alternativas com assinatura sonora mais equilibrada.