A Bose SoundLink Revolve+ II existe num limbo curioso: é uma caixa Bluetooth premium que soa genuinamente bem em 360 graus, tem bateria para um dia inteiro e resistência a respingos — mas insiste em usar Micro-USB para carregar e suporta apenas o codec SBC. Em 2026, isso é quase provocação. Testamos a Revolve+ II para descobrir se o som justifica as concessões.
Design e construção: elegância cilíndrica
O formato cilíndrico em alumínio, com 18,4 cm de altura e 907 g, é bonito e funcional. A alça embutida na parte superior permite pendurar a caixa num gancho ou mosquetão, e a base emborrachada garante estabilidade em superfícies planas. A certificação IP55 protege contra jatos de água e poeira — mas não é submersível como concorrentes IP67.
A porta Micro-USB na traseira é o elefante na sala. A Bose manteve a mesma conexão do modelo anterior, enquanto todo o resto do mercado migrou para USB-C. Existe um dock de carregamento vendido separadamente, que ameniza o inconveniente — mas custa extra.
Som: quando o 360° funciona de verdade
O segredo da Revolve+ II é um único driver full-range disparando para baixo, contra um defletor acústico que distribui o som uniformemente no plano horizontal. O resultado é impressionante: ao caminhar ao redor da caixa, a variação de volume é de apenas cerca de 1 dB. Não é gimmick — é 360° de verdade.
O som é encorpado, com graves reforçados por dois radiadores passivos que dão impacto surpreendente para o tamanho. Vocais soam naturais e presentes. A assinatura é tipicamente Bose: quente, envolvente, privilegiando a experiência musical sobre a precisão analítica.
Os agudos, porém, ficam um pouco recuados — falta brilho em pratos e cordas agudas. E no volume máximo, alguma compressão e distorção aparecem, especialmente em faixas com graves pesados. O sweet spot é entre 50% e 80% de volume, onde a caixa soa realmente refinada.
O fato de ser mono (não estéreo) significa que não há separação de canais — para isso, é preciso comprar duas unidades e parear em modo estéreo.
Bateria: o grande trunfo
A Bose promete 17 horas de bateria, e testes independentes mediram resultados ainda superiores — até 34 horas a 75% de volume em algumas condições. Na prática, com uso variado de volume, espere algo entre 15 e 20 horas. É uma autonomia excelente para a categoria.
Conectividade e app
Bluetooth 4.2 com alcance de 9 metros e codec SBC apenas. Sem AAC, sem aptX, sem LDAC. O app Bose Music permite gerenciar conexões e parear caixas, mas não oferece equalizador — o que soa é o que a Bose decidiu que soa.
Há microfone integrado para chamadas e acesso a assistentes de voz (Siri, Google Assistant). A qualidade do viva-voz é funcional sem ser excepcional.
Para quem é — e para quem não é
Se você valoriza cobertura sonora uniforme em 360° para reuniões, jantares ou uso em ambientes onde as pessoas circulam ao redor da caixa, a Revolve+ II ainda é uma das melhores opções do mercado. Se você prioriza especificações modernas (USB-C, codecs avançados, IP67), há alternativas mais atuais por preço similar.