Em 1972, Matthew Polk, George Klopfer e Sandy Gross tinham exatamente US$ 200, um diploma recém-saído da Johns Hopkins University e uma mansão do século XVIII em Baltimore que parecia cenário de filme de terror — com iluminação a gás e aquecimento parcial. Era ali, na Notre Dame Lane, que nasceria uma das marcas de áudio mais importantes dos Estados Unidos.
O primeiro gig
O projeto inaugural foi prosaico: montar um sistema de som para um festival de bluegrass local. Quando os organizadores não puderam pagar, Klopfer desenhou um logotipo e colou nas caixas. De repente, não era mais um bico — era uma empresa. O nome? Polk — porque ninguém conseguia pronunciar Klopfer.
O trio começou produzindo 10 caixas por dia com 6 funcionários em Dickeyville, um bairro operário de Baltimore. Em 1976, já faturava US$ 1 milhão. Sandy Gross, que depois fundaria a GoldenEar Technology e a SVS, dirigia uma Volvo station wagon pelo país inteiro, visitando revendedores e convencendo-os a ouvir antes de julgar.
A revolução SDA
O momento que definiu a Polk Audio veio em 1984: a tecnologia SDA — Stereo Dimensional Array. Matthew Polk percebeu algo que poucos na indústria questionavam: quando você ouve duas caixas estéreo, o som do canal esquerdo também chega ao ouvido direito (e vice-versa), criando diafonia que reduz a percepção espacial.
A solução da Polk foi radical: conectar as caixas por um cabo umbilical e usar arrays de drivers que cancelassem ativamente essa diafonia entre canais. O resultado era um palco sonoro absurdamente amplo — instrumentos pareciam vir de posições muito além das caixas físicas. A patente US 4.489.432 foi concedida em 1984.
A SDA-1, vendida por US$ 995 o par, era diferente de tudo que existia. Revistas da época descreveram a experiência como holográfica. A tecnologia era tão à frente do seu tempo que só décadas depois, com processamento digital moderno, outras marcas começariam a explorar cancelamento de diafonia.
Do IPO à era Sound United
Em 1986, a Polk Audio abriu capital na NASDAQ — algo incomum para fabricantes de caixas acústicas. A marca expandiu para áudio automotivo (parceria com a MOMO italiana em 1999) e soundbars, sem abandonar as linhas hi-fi.
Em 2006, foi adquirida pela Directed Electronics. Em 2012, passou a integrar o grupo Sound United, ao lado de Denon e Marantz — um trio poderoso que cobria receivers, caixas e amplificação. Em 2022, a Masimo comprou o grupo Sound United por US$ 1,025 bilhão. E em setembro de 2025, a Harman International (subsidiária da Samsung) adquiriu o portfólio por US$ 350 milhões, colocando a Polk sob o mesmo teto de JBL e Harman Kardon.
O legado e o presente
Mais de 50 patentes. Milhões de caixas vendidas. A tecnologia SDA, abandonada por anos, foi ressuscitada na série Legend (2018) e na mais acessível Reserve (2021). As soundbars MagniFi continuam usando VoiceAdjust e SDA para criar experiências cinematográficas acessíveis.
A filosofia de Matthew Polk nunca mudou: oferecer mais som por menos dinheiro, sem sacrificar a engenharia. Meio século depois, numa mansão muito melhor que aquela de Notre Dame Lane, o legado continua — agora com o peso da Samsung por trás.