A Bose construiu sua reputação fazendo caixas que soam maiores do que parecem. A SoundLink Plus é a mais recente expressão dessa filosofia: um cilindro de 1,45 kg com IP67, aptX Adaptive e bateria para um dia inteiro. Mas a R$ 2.490, ela entra num ringue onde a JBL Charge 6 e a Sony ULT Field 3 cobram bem menos. A qualidade sonora justifica a diferença?
Design e construção: o luxo silencioso
A SoundLink Plus é bonita de um jeito discreto. A grade de aço com pintura eletrostática e o corpo de silicone passam uma sensação de qualidade que poucos rivais nessa faixa conseguem igualar. A alça de nylon integrada é prática, e o peso de 1,45 kg a torna confortável para carregar o dia todo.
A classificação IP67 significa submersão total em até 1 metro por 30 minutos — e a caixa flutua, o que é um toque de engenharia que faz diferença real na piscina ou no rio. A resistência a quedas e ferrugem complementa o pacote de durabilidade.
Qualidade sonora: o DNA Bose
O conjunto de 1 woofer de 63 mm, 1 tweeter de 20 mm e 4 radiadores passivos entrega o perfil sonoro que a Bose faz melhor que quase todo mundo: graves presentes sem exagero, médios articulados e agudos suaves. Em volume moderado, a SoundLink Plus soa aberta e envolvente, com uma projeção sonora impressionante para o tamanho.
O destaque técnico é o suporte a aptX Adaptive — um codec de alta resolução que, em dispositivos Android com Snapdragon Sound, entrega qualidade de áudio notavelmente superior ao SBC ou AAC padrão. É um recurso raro em caixas portáteis e mostra que a Bose está ouvindo os audiófilos.
Porém, acima de 75% do volume, os graves começam a perder disciplina. O bumbo perde definição e o som geral tende ao brilhante. A JBL Charge 6 lida melhor com volume alto, mantendo compostura a 90-100%. O EQ de 3 bandas no app Bose ajuda, mas é limitado comparado ao EQ de 7 bandas da JBL.
Bateria e conectividade
As 20 horas anunciadas são reais: o SoundGuys mediu 20 horas e 55 minutos a 80 dB. Excelente. A caixa também funciona como powerbank de 15W via USB-C, carregando seu celular com velocidade decente.
O Bluetooth 5.4 com multipoint permite conectar dois dispositivos simultaneamente, e o Google Fast Pair facilita a vida no Android. O Party Mode e o Stereo Mode permitem parear com outras caixas Bose — mas apenas Bose, ao contrário do Auracast da JBL que é um padrão aberto.
As ausências pesam: sem microfone embutido, sem entrada auxiliar de 3,5 mm e sem áudio via USB-C. O Bluetooth é literalmente a única forma de enviar som para a caixa. Para uma caixa de R$ 2.490, essas omissões são difíceis de justificar.
Vale a pena?
A Bose SoundLink Plus é uma caixa excelente que cobra caro por esse privilégio. Se aptX Adaptive e flutuação IP67 são prioridades, ela é única no mercado. Se você quer a melhor relação custo-benefício, a JBL Charge 6 entrega 80% da experiência por 60% do preço.
Para quem já está no ecossistema Bose (soundbar, fones), o SimpleSync e o Party Mode agregam valor real. Para todos os demais, o preço brasileiro transforma uma recomendação fácil em uma decisão difícil.
A SoundLink Plus soa como uma Bose deve soar. O problema é que ela também custa como uma Bose custa.
Redação Guia do Áudio